Que bom te conhecer!




No começo você será motivada pelo interesse da curiosidade e, por força de uma frase impactante, perceberá que talvez eu realmente tenha algo a dizer. Ainda com um pé na frente, outro atrás, se permitirá seguir adiante, com uma certa expectativa ansiosa, mas cada vez mais confiante. Ao parar de questionar qual é a minha, começará a sentir a sua própria emoção, e ao ver que não faço nenhuma questão de parecer perfeito, pensará: — Ele é só um cara comum... – Depois das minhas primeiras três ou quatro confissões, se sentirá ganhando colo por ter suas culpas diminuídas, conforme for notando que não está sozinha com seus próprios erros. Mais algumas confissões, desejará me esgoelar de raiva, e no relato da dor por meu autojulgamento, conhecerá também meu aprendizado, que em parte se tornará seu. Em algum momento dirá: — Esse cara é louco! – mas reconhecendo-se entre uma loucura e outra, aos poucos entenderá, nos seus tantos motivos, também os meus. Neste ponto, estará comigo na intimidade de minha tristeza, dilemas e fraquezas e, solidária, novamente perceberá que não estamos sozinhos. Assim, torcerá por mim, porque estará torcendo por nós. Se lembrará de velhas coisas já esquecidas, se alegrará com o que deu certo, rirá de tantas bobagens sem importância, aceitará com amor as suas melhores saudades, que despertarão os seus piores ressentimentos, antes de enterrá-los. Às vezes vou incomodar, e até fazer doer. Desejará me jogar ao chão, mas em vez disso, desfazendo um nó na garganta, me colocará em seu peito dizendo-me: — Valeu... – Mesmo não concordando com tudo, se renderá a não discordar de tudo, e nisso compreenderá estar aceitando a si mesma, desapegando do que não é seu, reconhecendo o que é do outro – ou de todos – e assumindo sem culpa o que de mais ninguém possa ser – ou precise ser –, além de você. Da minha parte estarei imaginando, da mesma forma como fui escrito, os sentimentos que minhas demais partes estarão despertando, enquanto seja lido. A possibilidade de dizermos um ao outro e ao espelho, por pensamento ou qualquer meio: — Que bom ter te conhecido!

– DesapEGO - O Livro, por Gutto Carrer Lima



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