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Mostrando postagens de 2017

Aceitar o que está sendo e deixando de ser

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A aceitação e auto-aceitação é um processo de reciprocidade contínua em que aceitar e aceitar-se tal como se é, se torna um equívoco pois demanda em aceitarmos transformações constantes. Quando alguém nos aceita, já não somos os mesmos. A aceitação acontece a partir de referências já conhecidas, que num momento seguinte poderão não mais corresponder à uma imagem construída e até idealizada do outro. Ainda que a referência nunca mudasse, mudaria a idealização que construiu a imagem.
– Gutto Carrer Lima

Todos somos vítimas. Ou não?

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Exaura-me mais aquele que esnoba sua felicidade como se fosse esta uma condição constante, do que aquele que confessa sua dor na esperança de que alguém possa ouvi-lo. Porque o primeiro busca a quem queira aplaudi-lo para afirmar o que não é de toda certeza; de certo há muito de assombrosa vaidade. E o segundo inspira-me a evocar luz de onde nem eu mesmo sei, para com algum esforço de empatia e compaixão, tentar iluminá-lo. Ao fazê-lo, também sou pego pela mesma luz, que energiza a mim tanto quanto ao outro com a coragem de admitir uma condição humana, em vez de covardemente fugir do direito de lamentar. Que cobrança mesquinha é a de exigir minha felicidade visando espelhar a sua própria! Estes sim, são vampiros do espelho! Por trás deles, onde estão os escondidos, tímidos e acuados, amo a sinceridade de quem confia contar a sua tristeza. O triste não quer muito, além de quem o ouça, porque sabe o quão raro isto é, por si. Exaura-me mais o individualismo que dá as costas, do que a men…

Encantamento do Artista

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O artista é uma espécie de ser encantado. Por assim ser, vê tudo ao seu redor por um prisma encantado, às vezes tal como outros artistas também podem ver, outras de um jeito exclusivamente seu. O encanto tem um preço, que o artista paga com sua inquietude. Sua arte é a tentativa desesperada, bem sucedida ou não, de expressar o que ele vê, para que outros também possam ver. Nesta busca, o artista utiliza-se do que tem em mãos, sejam materiais ou conceitos, para transformar o insignificante em belo. Um artista sem inspiração é alguém que se desencantou temporariamente, não está vendo com olhos encantados.

Gutto Carrer Lima

A Dor do Amor

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Disseram que o amor é dor. Platão inventou essa história. E muita gente acreditou. Eu também acreditei, porque às vezes, ao pensar em alguém, dói. Mas ao estudar um pouquinho, aprendi que o amor não é como a dor. O amor é como o odor. Temos em nosso organismo uma quantidade limitada de receptores que traduzem ao cérebro as moléculas de odor. Existem muito mais odores do que podemos identificar, assim como existem frequências de som e de luz que nossos sentidos também não podem alcançar. Para cada molécula de odor, deve existir um receptor específico. Quando uma molécula de odor não encontra um receptor equivalente, devido à nossa limitação, sentimos o cheiro de uma coisa em outra. – Não... o amor não é dor. Nós é que não desenvolvemos ainda o receptor certo do amor para traduzi-lo em nosso cérebro. Em vez de cair na caixinha receptora de amor, ele cai na caixinha da dor. Sentimos o amor como dor, assim como sentimos o cheiro de uma coisa em outra. Os camundongos cheiram mais, e os cãe…

Domínio Público e Pirataria: um dilema ético

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O dilema da ética está entre a boa intenção e a consequência colateral. O próprio Aaron reconhecia que a polaridade do bem e do mal na internet é verdadeira e depende da nossa maneira de enxergá-la. A mesma facilidade que nos dá acesso a saber como diagnosticar um câncer, também ensina a construir uma bomba em casa. Como permitir que o primeiro conhecimento seja livremente disponibilizado na internet e o segundo não? – Como se não bastasse as leis serem generalizadas, elas ainda trabalham a favor de interesses comerciais e políticos. E muito do conhecimento que nos chega atende a esses interesses, e não ao que realmente nos faria bem. Não basta ao bom conhecimento estar disponível. É preciso que saibamos que ele existe. Na disputa de espaço, seja nos feeds de redes sociais ou nos resultados mostrados pelos motores de busca, vence o que é patrocinado. Um beco sem saída na construção de um mundo melhor, onde a veracidade e legitimidade do conhecimento encontrado também são questionávei…

Mala sem Alça

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A alma é uma malabarista fadada a ficar equilibrando o corpo, que por natureza está sempre inclinado e pendendo de um lado ou de outro, demandando a alma em constantemente satisfazer suas necessidades e desejos para juntos manterem-se vivos. Visto deste modo, o chamado "desercarne" ou morte física há de ser um grande alívio para a alma, que finalmente poderá cuidar de si mesma sem o peso dessa mala sem alça que é o corpo. Logo, não há motivo para temer a "morte", exceto pelo fato que sem o corpo, ela perde a autoconsciência que depende do tempo para existir, e ganha, em compensação, a experiência da eternidade, que não haverá de ser entediante já que em sua instância, o tempo não existe.

Gutto Carrer Lima

O pior ou o melhor que pode acontecer

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Se você quer ter dinheiro, sucesso profissional, status social, prazeres materiais sofisticados, privilégios e luxos para o corpo, então vá em frente! Procure todo o conhecimento necessário, invista sua vida nisso e pague o preço que terá que pagar por tudo e por você mesmo, sem nenhuma garantia de que irá conseguir suficiente realização. Se você quer gozar de prazeres simples para o corpo e elevados para a alma, com tranquilidade, autenticidade e relativa liberdade, vá em frente! Procure o conhecimento que o ajude a despertar, deixe a vida fluir e liberte-se de ter que pagar tanto, apesar dos desapegos que constantemente precisará exercitar. Seja qual for o caminho, entre estes ou diversos outros existentes, todos sofrerão as dificuldades inerentes a cada escolha e desfrutarão de seus deleites exclusivos. Portanto, não há certo e errado, pior ou melhor. Só não viva uma vida desejando outra, porque isto sim, é a pior porcaria que pode acontecer.

– Gutto Carrer Lima


Pouco com Deus ou muito com o diabo?

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Todo dia acordo e tenho as mesmas opções: desfrutar dele tal como se apresenta, sentindo-me digno de merecê-lo no que me oferece de bom, ou sentir-me desmerecedor imerso na culpa por não estar agindo à altura do que tenho, ou por não ter feito melhor do que fiz. A primeira opção fará de meu dia, feliz. A segunda, não. Logo, viver sob a percepção, justificada ou não, de não estar cumprindo o dever, é uma das principais causas, se não a maior, de infelicidade. Mea culpa! A culpa é da nossa autocobrança, muitas vezes provocada pela cobrança social.

Numa outra instância, seria possível vencer esta cobrança, agindo inescrupulosamente para obter resultados financeiros e materiais, que aos outros, desconhecendo os meios pelos quais foram obtidos, pareceriam dignos de admiração e exemplo de sucesso. O peso na consciência, porém, por ignorar a moral, a ética e a lei, ou seja, o dever, resultará em culpa maior que não permitirá usufruir a contento do que foi conquistado. Apesar da aparente dign…

Amor por nossos amigos materiais

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Esta história me fez lembrar de meu “amor” por meus brinquedos quando criança. Também do cuidado que minha mãe tinha (e tem) com seus eletrodomésticos, e de meu pai improvisando para consertar algum aparelho quebrado, com o que tinha em mãos. Estas coisas custavam mais caro do que hoje em dia, e eram feitas para durar, pelo menos, um pouco mais.
Falamos de desapegos de diversos tipos, inclusive o material, mas praticamos muito mais o descarte do que o desapego de nossos desejos. Aquele “apego” por nossos bons e velhos objetos talvez devesse resistir, durar mais. Será que são eles que se tornam obsoletos? Ou é a nossa mentalidade forjada pela tentação por ter novos e ótimos substitutos mais modernos?
O vídeo comove com o amor entre usuário e equipamento, o rapaz e a sua boa e velha geladeira, levando à reflexão sobre a frieza de nossos desapegos e suas consequências. Descartar não é desapegar. Desapegar é deixar de desejar. O que temos, já temos, já custou os recursos e a energia neces…

Qual o pensamento da última moda?

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Pense numa biblioteca de receitas sobre como viver, ou melhor, sobre o que pensar a respeito do que seja viver. Essa biblioteca poderá ter o tamanho da sua cidade; ou de um país, ou de um continente inteiro! Bilhões de diferentes pensamentos! Muitos deles brilhantes, e outros tão toscos que parecerão piadas. Você dará boas risadas ao descobrir como era o imaginário das pessoas há séculos e milênios atrás! Aquelas pessoas do passado viveram sob os pensamentos de sua época, assim como estamos vivendo na nossa. Vidas sustentadas em pilares dos pensamentos, que se tornam crenças, que se tornam verdades, que se tornam regras, que se tornam leis. Não ouse desobedecê-las, sob risco de ser considerado louco, dissimulado e alienado. O Pensar também segue modas. Qual o pensamento da última moda? A moda muda conforme o lugar e sua cultura. Cada vez mais rápido, a cultura é moldada segundo interesses, convenções e conveniências, coletivas e individuais. Hoje em dia, podemos nos dar ao luxo de esc…

Nostalgia pelo Futuro

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Esse ressentimento que projeta nostalgia no futuro, ''nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi", como bem cantou Renato Russo. – Não AMARgurarei o futuro com os AMARgores do passado e do agora.  Antes o AMARei, desde já, pois o futuro não precisa estar distante para ser.  Ele é cada minuto que chega e se vai mais rápido do que eu possa perceber.  O futuro (que será) já é.  O passado (que se foi) continua ser.  O agora (que é), este não sei o que é.  – Que fé será maior do que amar o que não existe? – De certo, é amar o que coexiste e aqui está, como eu aqui estou.

– Gutto Carrer Lima




Um exercício de desapego na revisão de nossas vidas

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A morte faz pensar a vida. O luto faz sentir o apego. A saudade faz revisar o que vivemos.
Cada um com suas dores, sucediam-se os dias como se nada estivesse estranho além da reclusão emudecida em nós mesmos, arrastando as frustrações secretas dos sonhos interrompidos que só podem ser enterradas depois de superadas. Não queríamos bater nas mesmas teclas ou tocar nas mesmas cordas, pois sabíamos, elas não variariam suas notas. Por um tempo, nossa música silenciou como o luto exigindo o desapego na revisão de nossas vidas. (Trecho de Desapego - O Livro, de Gutto Carrer Lima)
Todos os direitos reservados © 2017 Desapego

Amigos Inseparáveis

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Em março de 2016, eu estava compilando crônicas, frases e poemas para compor meu livro que ainda não tinha título, e não sabia claramente o que ele queria ser. Enquanto trabalhava organizando a compilação, arriscava-me também a escrever alguns novos ensaios, no sentido de ensaiar mesmo. A um desses ensaios, dei o nome de "Amigos Inseparáveis". Pedi a Denise que o lesse e desse sua opinião. 
— Gutto, achei o texto profundo e acho uma responsabilidade enorme para mim, você se basear somente em minha opinião. – disse Denise. – Tenho uma amiga de infância, a Louise, que lê muito, adora ler e escrever. Você poderia enviar seu texto pra ela também opinar; o que você acha? - perguntou.
Enviei o texto para Louise, que me retornou no dia seguinte. Seu comentário me trouxe a segurança que eu precisava naquele momento para fazer do livro mais do que um agrupamento de textos anteriormente escritos, marcando o início de uma nova concepção para o projeto.
Um ano e meio depois, o livro es…

No Presídio dos Desapegos

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O que será que pensa um homem (ou mulher) no exercício do cargo que ao presidir a república, preside também as vidas de milhões de pessoas? "Preside" me lembra presídio. Etimologicamente, presidir é "sentar-se à frente", e presídio é a "guarnição que se põe à frente de uma praça para protegê-la". Os significados das palavras mudam, e por conta de quem as profere, muda nossa confiança. Em vez de guiados e protegidos, nos sentimos presididos numa prisão, com nossos sonhos penalizados pela impossibilidade de realizá-los. O pior mal para todos, é a perda dos bons hábitos que nos davam graça em viver, por força da obrigação de somente pagar contas para sobreviver. As recessões provocam isso. Se a sua graça é viajar, já não viaja tanto. A graça de ler já não lê um livro por mês; talvez uns dois por ano. A satisfação de usar boas roupas já não se importa de sair à rua usando chinelinho. O carro pelo qual babava dá lugar à consciência ecológica para justificar a …

Motivos e Consequências

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Houve dias em que fui feliz. Não era assim uma FELICIDADE com maiúsculas, mas rolavam umas coisas interessantes que me faziam sentir vivo no meio dos aperrengues que elas também provocavam. Lógico... eu não sabia das consequências que trariam, que depois me deixariam muito INFELIZ, com maiúsculas. Acho que eu até tinha uma pequena noção. E daí? Vou que vou! Está gostoso! Igual ao ditado: tomo uns tombos mas me divirto! Me ferrei feio, meu irmão! Tudo bem.... agora já passou, apesar das marcas nos joelhos, das dores nos cotovelos e das velas que se queimaram. Benditas chamas que a gente só acende na hora do desespero para chamar por algum consolo! De tanto me consolar, apaixonei-me pelas luzes. Elas chegam mais fortes quando se está no escuro. Basta um lampejo delas para ver o que antes não via. – O que é melhor? A alegria inconsequente ou a tristeza que me ensina? Parece até que são irmãs. Ruim mesmo é a tristeza inconsequente e sem motivo. Se é para ter tristeza, que tenha um bom mot…

Agradecer é Fácil. Difícil é Perdoar.

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A gratidão e o perdão são como dois quartos vizinhos. O quarto da gratidão tem a porta aberta, é bem iluminado, arejado e o convida a entrar para caminhar até a janela, por onde você pode ver facilmente os maravilhosos motivos que tem para agradecer. Ali queremos permanecer, na companhia de nossas melhores lembranças. O quarto do perdão tem porta fechada. Dá trabalho entrar nele. Para começar, é preciso encontrar a chave. Ao abri-lo, você se depara com um lugar escuro, lúgubre, úmido, abafado e misterioso. É preciso atravessá-lo para chegar até a parede de fundo, abrir as cortinas empoeiradas e encontrar a janela de vidros embaçados que precisarão ser limpas para que comece entrar alguma luz. A luz do perdão sobre as más lembranças que escurecem o quarto. Se conseguir abrir as janelas, se conseguir perdoar, o quarto se clareará como o outro ao lado. Senão, desejará correr para fora para respirar, fechará novamente sua porta e assim ficará, como um quarto assombrado dentro da sua própr…

Portas de Saída

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Ouvi dizer que os vulcões seriam as portas do inferno. Descobri que não eram portas de entrada, e sim de saída para aqueles que na profundidade de suas crateras, se purificaram.

– Gutto Carrer Lima


Ambivalência

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Como me conhecerei se não der-me a chance de me ver em minhas ambivalências? Somos frágeis nas reações diante das discordâncias. Se me apresentar como anjo, não me reconhecerei como humano e decretarei a trágica fatalidade de fazer de mim mesmo uma mentira, somente para agradar.

– Gutto Carrer Lima


Sinos e Tambores

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Posso sentir o instante presente como a batida num tambor: Bum! E acabou. Virou passado. Ou o sentirei como o som de um sino tibetano: Doooooooooooooooooooooooommmmmmmmmmm... Um instante que se prolonga e nada penso enquanto o escuto esvanecendo-se. Se o instante for ruim, desejarei que seja tambor. Se for bom, saberei que ele não é, não foi, nem será; ele simplesmente está sendo sino; um instante que não desejo que acabe.

Esta é uma analogia com o Eterno Retorno de Nietzsche, como o entendo. Um instante que concentra em si, passado, presente e futuro, ou seja: a eternidade. – Não seria essa a eternidade prometida? Não a eternidade que está no futuro e nos faz ansiá-la, nem a que está no passado onde antes do princípio algo existiu para lhe dar origem.

A eternidade do sino se mantém no instante vivo enquanto é vivido, razão pela qual acredito ser o desapego do futuro ainda mais importante do que do passado. Porque o passado ainda se faz presente e, ato contínuo, sem ele não vivo plen…

Sem dentes, ascendentes e descendentes

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"O homem é um ser social", sobretudo porque nasce vulnerável e totalmente dependente de quem o proteja, cuide e o alimente. Apesar de todas as elucubrações acerca das delícias e mazelas do ego e da necessidade de "ser você mesmo", até que ponto seríamos de fato, "nós mesmos"? Aos sermos cuidados, somos adestrados por quem nos cuida desde bebês e por todas as influências do mundo. – Como seria ser "eu mesmo", se possível fosse ter nascido e crescido como nascem e crescem os animais? – Cabelos e pelos nunca cortados. Banhos de rio sem sabonete. – Que cheiro tem um ser humano após anos defecando e suando? Que pensamentos ele tem sem nunca ter visto outro de sua espécie? É possível pensar sem ter aprendido alguma linguagem? Como será a nossa real sabedoria essencial e intuitiva? Será preciso estar fora para ver o que há dentro? Quantos anos conseguimos sobreviver sem dentes, ascendentes e descendentes ?

– Gutto Carrer Lima





Não se troca energias. Troca-se Afetos.

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O que muitos chamam de "trocar energias" é uma gíria, uma força de expressão. O que na realidade se troca, são afetos. Você não pega uma energia, coloca numa caixa e entrega para alguém. A energia é produzida interiormente por quem recebe o afeto. Afeto é tudo o que afeta, pode ser bom ou ruim. Afeto não é carinho; o carinho é um afeto. Se alguma palavra, atitude, notícia, gesto, lembrança, pensamento, expectativa, crença ou acontecimento influenciou suas emoções e sentimentos, então o afetou. Logo, todas essas coisas são afetos, que podem vir de fora ou de dentro da gente mesmo. A autossugestão é um afeto interno, que pode ser produzido por outros afetos externos, em especial, as crenças em pensamentos mágicos. Os afetos são gatilhos de "energias", não são as energias, estas sim, imanentes aos afetos.
– Gutto Carrer Lima
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Curtidas no Blog Desapego

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Deixei o "Blog Desapego" sem lugar para curtir, de propósito, para não criar em mim mais uma expectativa que me traria ansiedade. Mas tem a opção de comentar. O blog me avisa por e-mail quando alguém comentou. E tem também várias opções de compartilhar, em diversas redes sociais. Quer curtida maior e melhor do que um compartilhamento?
– Gutto Carrer Lima

Vem de Fábrica

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O Saber, aquilo que é intuitivo, já nasce na gente, "vem de fábrica", e precisa ser estimulado por tudo o que nos cerca, por tudo o que nos afeta. Crianças não nascem sabendo a "mexer" em celulares e computadores; elas nascem com a intuição à flor "da pele", e por isso "já sabem" aprender o que ninguém precisa ensinar. Nós, de gerações anteriores, nos ressentimos de não conseguirmos utilizar, a contento, tanta tecnologia que nos assedia. Às vezes me sinto estúpido por não assimilá-la. Me sinto fora deste mundo que resolveu ser novo, assim, de repente, sem aviso. Algumas coisas assimilarei, por curiosidade, necessidade e insistência. Outras deixarei passar batido, como quem espera o último modelo ser lançado antes de comprá-lo.
Se eu quiser realmente aprender algo novo, tenho que ligar o botão da intuição. Para ligá-lo, é preciso interesse. Para haver interesse é preciso vontade. E para haver vontade é preciso vivenciar interiormente o que o apre…

NOTA DE ESCLARECIMENTO

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Informo que as pequenas crônicas, poesias, poemas e frases publicadas no "Blog Desapego", na página "Desapego - O Livro" do Facebook e no "Grupo Desapego ©" não são partes integrantes nem serão encontradas no mesmo livro. Trata-se sim, de textos inéditos do autor com exceção daqueles devidamente especificados como "Trechos ou Frases do Livro" a título de divulgação. Estas publicações dão uma noção prévia do estilo de escrita em prosa poética na obra impressa, mas estão longe de representarem a extensão e profundidade do seu conteúdo na totalidade, que inclui vinte partes distribuídas em quatro capítulos no decorrer de 608 páginas, além de um detalhado índice remissivo. Não seria possível expressar em fragmentos na internet, toda a representatividade de suas histórias, cuidadosamente escritas com absoluta coerência de sequência que compõem a obra. Portanto, não tomem a leitura das crônicas aqui publicadas, como sendo leitura parcial e fragmentada…

O Medo é uma Crença

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O medo é uma crença, uma trama complexa de associações dos nossos instintos com eventuais traumas, doutrinas religiosas e outros inúmeros fantasmas que nos assombram. Mude suas crenças e mudará sua vida atual. Isto deveria nos bastar para deixar leve o coração, mas não. Para vencer os diferentes medos é preciso conhecer suas origens, e assim expulsá-los como se expulsássemos demônios. Sorrateiros que são, no entanto, quando descobertos, escondem-se em outro canto. A vassoura do olhar interior os tira daqui e eles correm para ali, sem diferença. Mudam apenas de lugar, e continuam existindo instalados numa nova crença. Quem são os reais parasitas? Os medos ou as crenças? Se nada fazemos, porém, mais eles crescem, com a incrível habilidade que têm de nos ensinar a alimentá-los.

– Gutto Carrer Lima

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Na Platéia

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Chega-se a um ponto em que ao olhar para as pessoas não faz mais diferença as roupas que estão vestindo, suas idades, seus cabelos recém saídos do cabeleireiro, o tempo investido na maquiagem, suas posturas cumprindo o esforço de serem sociáveis e aceitas. Olha-se e imagina-se, antes, os seus sonhos, o que as sustentaram durante os tantos ensaios. Vê-se por trás de tudo, que naqueles corpos residem almas, todas igualmente frágeis protegidas por uma pele fina, com células ainda treinando renovação, ou já esquecidas de seus códigos de DNA que as fariam sempre jovens. As almas podem ser tão belas, que nada parece lhes fazerem jus, tanto quanto fazem suas histórias futuras ou já vividas. São Vidas. Almas vivas. Sentidas além do que pode ser visto na compaixão que as despem dos estereótipos, imediatamente vestindo-as com o respeito da solidariedade por sermos humanos na nudez de nossas verdades imaginadas. – Ouço aplausos, lembrando-me que devo sair do transe e aplaudir, porque a música ac…

Sempre Igual

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José vivia sentindo-se incompleto. Até seu nome, que quer dizer "aquele que acrescenta", cobrava-lhe deixar um rastro de realização por todos os lugares onde caminhava. De tanto cobrar de si mesmo, José queria mudar. Mudava de roupas, mudava companhias, mudava de lugares. Cada novo lugar, José também queria mudar. Não poupava esforços para adaptar tudo a ele, em vez de se adaptar. E assim, não importa onde ele estivesse, o mundo de José permanecia sempre igual. 
Você pode moldar o lugar, ou ser moldado por ele. Algumas vezes será preciso moldá-lo, outras deixar-se moldar.
– Gutto Carrer Lima
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O Lugar que lhe Promete

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Prometheus era um jovem músico. Tocava tão bem seu instrumento que muitos paravam para ouvi-lo. Era emocionante ouvir as melodias que ele sozinho, tirava do seu cavaquinho. A música de Prometheus prometia, diziam, e assim passaram a lhe cobrar: — Você precisa também cantar! – De tanto ouvir, resolveu escutar, e começou a cantar. Mas Prometheus não cantava tão bem quanto tocava. E por cantar mal, deixaram de ouvi-lo tocar. Prometheus se entristeceu e emudeceu a voz, sentado na calçada com seu cavaquinho. Sem nada cantar, as pessoas novamente se admiraram de vê-lo tocar. E ele descobriu assim, que tocar era o seu lugar.
– Gutto Carrer Lima


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Você é o Melhor de Você mesmo!

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O ouro pelo qual todos buscamos é a vontade. Vontade de viver. Despertar a vontade e manter sua chama viva é o melhor que podemos fazer pelo outro, o outro por nós, e nós por nós mesmos.
– Gutto Carrer Lima

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A sobrecarga de ser Amor e Felicidade

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Amor e Felicidade são conceitos tão amplos, que não podem existir da forma como genericamente pensamos entendê-los. Para existirem, o amor e felicidade precisariam ser completos, realizados em plenitude, incluindo todas as diversas formas às quais costumamos atribuir seus significados. As palavras Amor e Felicidade englobam tantos departamentos conflitantes entre si, que se tornam impossíveis de serem administrados. Sem conhecimento das palavras certas, ou nomes certos para cada um desses departamentos, erramos por chamá-los a todos de amor, ou de felicidade. Como consequência, hora nos iludimos, hora nos realizamos e noutra nos decepcionamos ao darmos à apenas duas palavras, a enorme sobrecarga de traduzirem as nossas melhores expectativas, prazeres, recompensas, glórias e não-fracassos.
– Gutto Carrer Lima

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Dentro do Trem

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Estavam todos comigo no trem. Não olhava ninguém devido à paisagem que me distraía. A passagem seguia enquanto eu sentia a falta de alguém. Queremos a quem não temos, porque aqueles que temos, partes já são. Até que se vão e esperemos que venham, não sentimos a falta que um dia farão.
– Gutto Carrer Lima

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Fragilidade

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Fragilização não é fraqueza. Algo muito poderoso e fora do controle precisou acontecer para fragilizar o forte. Poder, porém, não é força perpétua. A verdadeira força essencial se revelará na fragilidade, que mostrará ao forte, o quanto é capaz de suportar suas fraquezas até que consiga superá-las.
– Gutto Carrer Lima

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Único Sobrevivente

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Foi culpa daquela música. Não se contentou em ser lembrança. Quis mais. Quis companhia de todos os dias em que foi ouvida. Sucessivos flashbacks de imagens, pessoas, lugares. – Pare! Eu não quero rever! – Pensando bem, continue! Só mais um quadro, uma cena. Replay na canção e nos anos que se misturam em câmera nervosa. Já não controlo os movimentos. Momentos idos que vem e vão, e sobrepõem-se uns aos outros em completa desordem girando como ponteiros em contrárias direções. Meu coração, ele vê tudo e pergunta: – Você se lembra? – Eu digo: – Sim. As memórias que só em mim permanecem, conhecem mais e mais a solidão, porquanto só eu me lembro e eles não. Sou vivo em meus tempos. Livre descontente, levando comigo o remorso e a saudade de ser em nossas recordações, o único sobrevivente.
Gutto Carrer Lima


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Dores Minhas, Suas e Nossas

Você já parou para pensar que sofremos algumas dores justamente para que outros não as sofram? As dores podem ser comuns para muitas pessoas, mas sua intensidade, a maneira de suportá-las e lidar com elas, são particulares. – Não faço apologia à dor e sofrimento; simplesmente valorizo o que nos faz crescer. O contentamento, que por um lado nos traz alguma paz, também nos estagna. O que nos perturba, também faz questionar. O artista sente satisfação pelo descontentamento, porque é o que o motiva a criar. No contentamento não há evolução, e por isso a alma artista foge dele, ou passa a produzir mero entretenimento ilusório destinado a agradar a quem busca tão somente estar contente. Isto também tem valor, pois nem todos têm fôlego para mergulhar em águas profundas; as águas por onde nadam as dores que não são só nossas, e que o artista ajuda a trazê-las para a superfície a fim de não nos afogar.
– Gutto Carrer Lima




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Saber desaprender

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Sou ciente de que corro o risco do julgamento. Ainda assim, não aprendo, porque se eu aprender, correrei o risco de não ter o que fazer. – Coragem, amigo! O mundo está cheio de receitas prontas, mas há circunstâncias em que o melhor é desaprender. É um dos caminhos para encontrar-se consigo mesmo.
— Fique tranquilo. Sempre haverá o que aprender. O conhecimento é infinito. Ainda bem. Senão a vida seria um tédio – diz uma amiga.
— Nunca sabemos tudo...todos os dias aprendemos um pouco mais! – diz outra amiga.
A questão é: — O que aprender? – Somos vulneráveis a uma infinidade de equívocos e julgamentos que podem nos afastar da vida em vez de nos integrar a ela. Um importante aprendizado é desaprender o que não funciona: as ilusões das convenções. E inclusive conservar aquelas que nos ajudam temporariamente, até que um entendimento maior as substituam pela essência da intuição. Saber é diferente de conhecer. O saber é intuitivo, podemos dizer que vem da alma, e pode nos mostrar o que de…

Água Doce e Fresca no Deserto

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"Em geografia, um oásis é uma área isolada de vegetação em um deserto, tipicamente vizinho a uma nascente deágua doce." Os oásis são reais e existem nos desertos. O deserto é o seu lugar, assim como as miragens que ocorrem em regiões desérticas. As miragens também são reais como fenômenos físicos, embora sejam ilusões ópticas.

Um oásis é vital para quem viaja no deserto, devido à sua água doce. Sem essa água, o próprio oásis não existiria. Seria apenas uma miragem, como tantas as ilusões que vislumbramos na ânsia de encontrarmos o que sacie nossa sede durante a travessia. Algumas pessoas são potes de água doce e fresca colocadas por Deus em nossos caminhos, quando caminhávamos em miragens de água salgada num deserto.

– Gutto Carrer Lima



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