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O preço dos dias seguintes

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Sonhei que entrava por uma porta, numa casa que não era a minha. Não sentia estar invadindo; a entrada me era permitida desde que cuidadosa e respeitosa. Ao entrar, percorrendo o ambiente com o olhar, uma mulher me sorriu e logo vi que somente ela podia me ver. Levou-me para conhecer outros cômodos da casa, sem nunca desfazer o sorriso que me dizia: — Pode ficar para sempre, se quiser. – Uma parte de mim assim o queria, e outra sabia que não deveria. Os amanhãs cobrariam o seu preço, e o maior deles seria nunca mais repetir a sensação deste dia. – Gutto Carrer Lima

Os Três Pedidos

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Aos nove anos de idade, Ângelo era um menino questionador e sonhador. Questionava seus sonhos, e sonhava com o que lhe intrigava. Confundia-lhe os dias, o fato de nem sempre distinguir o que era sonho e realidade. Às vezes desejava que o sonho se realizasse, outras queria que a realidade fosse sonho, de modo que o sonho não precisasse dar-se o trabalho de se realizar, pois realidade já seria. Numa noite de sábado, Ângelo assistiu duas vezes seguidas o filme de animação em VHS que contava a história do gênio da lâmpada. Somente nas noites de sábado era permitido assistir TV até tarde, pois não precisaria acordar cedo para ir à escola no dia seguinte. Com o controle remoto do vídeo-cassete na mão, Ângelo adormeceu deitado em sua cama, antes do filme acabar. Ele já sabia o final, porém a história continuou diferente em seu sonho. Agora era ele mesmo quem encontrava o gênio! Como todo gênio que se preze, este se apresentou a Ângelo com a célebre saudação: — Salve, meu amo! Lisonjeado so...

Vila Alzheimer

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Eu me perdera ao afastar-me por uns instantes para explorar a redondeza, enquanto aguardávamos o conserto do ônibus que nos transportava numa eco-excursão por uma estrada de terra. Ao voltar, o cenário se modificara. Eu já não via os campos, lagos e árvores; somente a rodovia asfaltada na qual eu caminhava pelo acostamento esquerdo, indo e voltando à procura dos meus. Muitas pessoas ali esperavam sentadas na guia à beira do acostamento, mas nenhuma delas correspondia aos meus filhos. Eles não estavam ali, ou nós não nos víamos. Enquanto insistia na procura por toda a extensão do caminho, este afluía em ruas diversas, e depois em corredores que estreitavam entre paredes de tijolos aparentes e muros baixos por cima dos quais eu podia ver paisagens campestres. As paisagens eram lindas, mas onde estariam todos naquela vastidão? Se não estavam à frente, e se à frente não me seria possível seguir, eu teria que voltar. Também os corredores de volta ficaram estreitos; só poderia passar pulando...

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