A busca pela identidade

Segundo Sartre, "a existência precede a essência", contrariando todo o pensamento humanista de que existiríamos a partir de um propósito essencial. O interessante é que a não existência de uma essência justificaria a nossa angústia: as sempre presentes perguntas: Quem somos? De onde viemos? Por que estamos aqui? Para que servimos? Para onde iremos? – Não sabemos. Então inventamos justificativas, milhares delas. Cada pensador com a sua, cada seguidor com suas variantes, objetos de seus próprios questionamentos, interpretações, desejos racionalizados de que fosse, enfim, idealizações do que é a nossa busca maior: a de uma identidade. O viver tentando encontrar a identidade é a busca da essência, que não pode ser encontrada porque não existe num propósito. Assim, o máximo que encontraríamos seria uma finalidade em si mesma. Estamos aqui, "porque sim". Somos o que somos porque assim nos tornamos, resultado, em grande parte, de todos os afectos do mundo, e em pequena parte, das deliberações livres individuais. Entendo daí, que "não importa o que o mundo faz de você, mas o que você faz do que o mundo faz de você", outra frase famosa de Sartre. Esta é a quota de liberdade que nos cabe, um ínfimo teor de livre-arbítrio na medida das possibilidades, capacidades e contingências do viver. Na liberdade paradoxal de Sartre: "somos condenados à liberdade". – Já perguntava Hamlet de Shakespeare: "Que angústia seria maior que a de escolher o próprio destino?"


Gutto Carrer Lima


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