Os lembrados que nos esqueceram

Há uma dinâmica na rede social que bem faz refletir a respeito das pessoas que vamos conhecendo ao longo de nossas vidas. De repente, por acaso, o Facebook lhe sugere que adicione uma pessoa como amigo. Você se surpreende, porque há anos a mesma pessoa já fazia parte de sua relação de amigos. Surpreende-se ainda mais, por tratar-se de alguém com quem você conserva relevantes lembranças, como parte de uma fase importante de sua vida real, para além do virtual. Você percebe assim, que seu amigo o excluiu, numa decisão que representa não mais lhe ver, nem deixar-se ser visto. Ela não quer se lembrar de você, nem faz questão de ser lembrada. Na rede social, isto nos perece tão banal, tamanha é a naturalidade do descarte num clique, sem satisfações. Mas num tempo em que tais redes não existiam, você passaria a vida pensando em quem nem sequer lembra que você existe. Assim era a vida real, sem comunicação just-in-time, sem avisos imediatos de quaisquer graus. Ficava por conta do acaso algum reencontro, tão casual quanto a aparição do botão no Facebook sugerindo-lhe para adicioná-la como amigo. — Por que adicionar novamente quem antes lhe excluiu? – você se perguntará. – Não há um porquê. Melhor será conservar a lembrança real, de quando amigos naturalmente se perdiam nas contingências e no tempo, do que insistir numa possibilidade que não poderá ser nada além de efêmera e virtual. É uma chata constatação, mas é real: algumas pessoas decidirão que viverão melhor sem você; caberá a você decidir viver bem sem elas.

– Gutto Carrer Lima


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