Estética

O mundo das aparências é um mundo de estética, no entanto, a estética não está apenas nas superfícies; está também nos conteúdos, nos conceitos e preconceitos. É a estética que determina se uma pessoa, sua aparência, seus gostos, ideias, intelecto, poder de compra etc, são chiques ou bregas. Um mundo dividido no qual as partes se excluem e se subdividem, porque também no chique há o brega, e no brega há o chique. A maturidade deveria dirimir os preconceitos, mas muitas vezes até os aumentam, como resultado da necessidade de um sentimento ilusório de superioridade enquanto seres sociais que somos. É fato que as diferenças de capacitação existem, independentemente de sorte, esforço e oportunidades, mas o resultado delas continua sendo estético, oriundo da comparação e, sobretudo, da vaidade. Talvez a estética seja necessária para determinar a cada um o seu lugar, quando o lugar de cada um é imprescindível para construir os lugares nos quais cada grupo se sinta confortável. Porém, há grupos que potencializam as divisões e subdivisões estéticas. São os grupos da maldade. Não a maldade que alguém faz a si mesmo, que muitas vezes nem se trata de maldade por ser consequência de vícios e paixões, naturais tanto em chiques quanto em bregas. É maldade o que causa mal ao outro. Há quem considere a maldade como chique, e a bondade como brega. Isto é tão conceitual que se estabelece até nos produtos. Não existem carros esportivos com design "bonzinho", por exemplo; eles costumam ter "cara de mau", porque o mal representa poder; poder representa força; força faz temer, e medo faz respeitar. O pensamento de Maquiavel se faz presente também no design, e assim o poder e a submissão se mostram como resultados estéticos. – "Dirigindo um carrão haverá um homem de grande riqueza e falo pequeno" – diz o ditado com dor de cotovelo, mas tão verdadeiro quanto levantar os braços para parecer maior visando domar um camelo. A estética é ataque e defesa. É o belo, o feio e o mais ou menos. É o que desejamos e o que repudiamos. O que mostramos e o que escondemos. É valor e é juízo. É dogma e consumo. A estética só não é aquilo que realmente somos, e que por força da estética, não sabemos.

– Gutto Carrer Lima


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