Num futuro não muito distante, quando tivermos toda sorte de chips implantados em nossos corpos e não mais enxergarmos com nossas córneas, e sim através de lentes leitoras de realidade virtual, ninguém mais se preocupará com a própria aparência física. Compraremos "corpos virtuais", que serão a imagem com a qual nossa identidade física será representada para todas as demais pessoas e inclusive para nós mesmos. Veremos e seremos vistos com a aparência que escolhermos ter. Não teremos realizado a ideia idiota de imortalidade ainda, mas a juventude permanente terá sido alcançada. Todos parecerão sempre jovens, bonitos e 'sarados', embora as carcaças corpóreas verdadeiras, invisíveis às lentes tecnológicas, não corresponderão às representações visuais adotadas. Quanto mais bonita a imagem, mais cara ela será. Nossas identidades físicas, assinaturas, impressões digitais e números de documentos não serão mais relevantes, porque ninguém escapará da leitura de DNA feita por dispositivos simples pelos quais seremos cercados por todos os lados na vida cotidiana. Academias, clínicas de estética, salões de beleza e relacionados deixarão de existir. Desde a manicure até o cirurgião plástico, muitas profissões desaparecerão, em consequência da aparência e imagem simulada terem superado o próprio objeto representado. A indústria da moda também fracassará completamente, exceto pelos tecidos destinados a proteger do frio. Andaremos nus por quaisquer lugares, barbudos, despenteados, barrigudos, pelancudos e enrugados, e isso não fará diferença alguma. Uma nova profissão surgirá, derivada da mistura de neurocientista com psicólogo e coacher; todos serão dependentes de repetidas reprogramações mentais para acompanharem as adaptações necessárias às constantes mudanças tentando vestir a nudez da alma. A perfeição e beleza da imagem projetada, no entanto, estarão garantidas pela tecnologia.
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Já ouvi amigos dizerem: — "Estou com inveja de você"! Quando isto é dito, o amigo é imediatamente perdoado por um "pecado" admitido. Porém, em se tratando de pecado, não seria eu quem deveria pedir perdão? Não, se nada fiz intencionalmente para tanto, mas se eu a despertei deliberadamente, sim, a culpa pela inveja alheia terá sido minha, e se isto causou constrangimento no amigo ao ponto de causar arrependimento em mim, será merecido pedir-lhe perdão tanto quanto ele mereceu ser perdoado por sinceramente admitir ter sentido inveja. Em meu livro falo de inveja, porque não se pode caminhar pelas sombras do autoconhecimento sem olhar de frente para ela. Por ser um tabu, e portanto causador de vergonha, nunca vi alguém falar sobre inveja referindo-se a si mesmo. A inveja sempre é a do outro, a que o outro sente, como se ela jamais percorresse o repertório das próprias emoções com relação às pessoas e coisas que as cercam. A inveja é vista como algo muito negativo, até...
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