A Dor do Amor

Disseram que o amor é dor. Platão inventou essa história. E muita gente acreditou. Eu também acreditei, porque às vezes, ao pensar em alguém, dói. Mas ao estudar um pouquinho, aprendi que o amor não é como a dor. O amor é como o odor. Temos em nosso organismo uma quantidade limitada de receptores que traduzem ao cérebro as moléculas de odor. Existem muito mais odores do que podemos identificar, assim como existem frequências de som e de luz que nossos sentidos também não podem alcançar. Para cada molécula de odor, deve existir um receptor específico. Quando uma molécula de odor não encontra um receptor equivalente, devido à nossa limitação, sentimos o cheiro de uma coisa em outra. – Não... o amor não é dor. Nós é que não desenvolvemos ainda o receptor certo do amor para traduzi-lo em nosso cérebro. Em vez de cair na caixinha receptora de amor, ele cai na caixinha da dor. Sentimos o amor como dor, assim como sentimos o cheiro de uma coisa em outra. Os camundongos cheiram mais, e os cães ouvem mais do que nós. É possível que todos tenhamos a mesma capacidade de amar, mas alguns sintam mais do que outros. Alguns sentem mais a luz, o som, o cheiro e o amor, e quanto mais sentem amor, mais sentem o que parece dor.

– Gutto Carrer Lima

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