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No Presídio dos Desapegos

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O que será que pensa um homem (ou mulher) no exercício do cargo que ao presidir a república, preside também as vidas de milhões de pessoas? "Preside" me lembra presídio. Etimologicamente, presidir é "sentar-se à frente", e presídio é a "guarnição que se põe à frente de uma praça para protegê-la". Os significados das palavras mudam, e por conta de quem as profere, muda nossa confiança. Em vez de guiados e protegidos, nos sentimos presididos numa prisão, com nossos sonhos penalizados pela impossibilidade de realizá-los. O pior mal para todos, é a perda dos bons hábitos que nos davam graça em viver, por força da obrigação de somente pagar contas para sobreviver. As recessões provocam isso. Se a sua graça é viajar, já não viaja tanto. A graça de ler já não lê um livro por mês; talvez uns dois por ano. A satisfação de usar boas roupas já não se importa de sair à rua usando chinelinho. O carro pelo qual babava dá lugar à consciência ecológica para justificar a b...

Motivos e Consequências

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Houve dias em que fui feliz. Não era assim uma FELICIDADE com maiúsculas, mas rolavam umas coisas interessantes que me faziam sentir vivo no meio dos aperrengues que elas também provocavam. Lógico... eu não sabia das consequências que trariam, que depois me deixariam muito INFELIZ, com maiúsculas. Acho que eu até tinha uma pequena noção. E daí? Vou que vou! Está gostoso! Igual ao ditado: tomo uns tombos mas me divirto! Me ferrei feio, meu irmão! Tudo bem.... agora já passou, apesar das marcas nos joelhos, das dores nos cotovelos e das velas que se queimaram. Benditas chamas que a gente só acende na hora do desespero para chamar por algum consolo! De tanto me consolar, apaixonei-me pelas luzes. Elas chegam mais fortes quando se está no escuro. Basta um lampejo delas para ver o que antes não via. – O que é melhor? A alegria inconsequente ou a tristeza que me ensina? Parece até que são irmãs. Ruim mesmo é a tristeza inconsequente e sem motivo. Se é para ter tristeza, que tenha um bom moti...

Agradecer é Fácil. Difícil é Perdoar.

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A gratidão e o perdão são como dois quartos vizinhos. O quarto da gratidão tem a porta aberta, é bem iluminado, arejado e o convida a entrar para caminhar até a janela, por onde você pode ver facilmente os maravilhosos motivos que tem para agradecer. Ali queremos permanecer, na companhia de nossas melhores lembranças. O quarto do perdão tem porta fechada. Dá trabalho entrar nele. Para começar, é preciso encontrar a chave. Ao abri-lo, você se depara com um lugar escuro, lúgubre, úmido, abafado e misterioso. É preciso atravessá-lo para chegar até a parede de fundo, abrir as cortinas empoeiradas e encontrar a janela de vidros embaçados que precisarão ser limpas para que comece entrar alguma luz. A luz do perdão sobre as más lembranças que escurecem o quarto. Se conseguir abrir as janelas, se conseguir perdoar, o quarto se clareará como o outro ao lado. Senão, desejará correr para fora para respirar, fechará novamente sua porta e assim ficará, como um quarto assombrado dentro da sua própri...

Portas de Saída

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Ouvi dizer que os vulcões seriam as portas do inferno. Descobri que não eram portas de entrada, e sim de saída para aqueles que na profundidade de suas crateras, se purificaram. – Gutto Carrer Lima Portas de Saída

Ambivalência

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Como me conhecerei se não der-me a chance de me ver em minhas ambivalências? Somos frágeis nas reações diante das discordâncias. Se me apresentar como anjo, não me reconhecerei como humano e decretarei a trágica fatalidade de fazer de mim mesmo uma mentira, somente para agradar. – Gutto Carrer Lima Ambivalência

Sinos e Tambores

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Sinos e Tambores Posso sentir o instante presente como a batida num tambor: Bum! E acabou. Virou passado. Ou o sentirei como o som de um sino tibetano: Doooooooooooooooooooooooommmmmmmmmmm... Um instante que se prolonga e nada penso enquanto o escuto esvanecendo-se. Se o instante for ruim, desejarei que seja tambor. Se for bom, saberei que ele não é, não foi, nem será; ele simplesmente está sendo sino; um instante que não desejo que acabe. Esta é uma analogia com o Eterno Retorno de Nietzsche, como o entendo. Um instante que concentra em si, passado, presente e futuro, ou seja: a eternidade. – Não seria essa a eternidade prometida? Não a eternidade que está no futuro e nos faz ansiá-la, nem a que está no passado onde antes do princípio algo existiu para lhe dar origem. A eternidade do sino se mantém no instante vivo enquanto é vivido, razão pela qual acredito ser o desapego do futuro ainda mais importante do que do passado. Porque o passado ainda se faz presente e, ato contín...

Sem dentes, ascendentes e descendentes

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"O homem é um ser social", sobretudo porque nasce vulnerável e totalmente dependente de quem o proteja, cuide e o alimente. Apesar de todas as elucubrações acerca das delícias e mazelas do ego e da necessidade de "ser você mesmo", até que ponto seríamos de fato, "nós mesmos"? Aos sermos cuidados, somos adestrados por quem nos cuida desde bebês e por todas as influências do mundo. – Como seria ser "eu mesmo", se possível fosse ter nascido e crescido como nascem e crescem os animais? – Cabelos e pelos nunca cortados. Banhos de rio sem sabonete. – Que cheiro tem um ser humano após anos defecando e suando? Que pensamentos ele tem sem nunca ter visto outro de sua espécie? É possível pensar sem ter aprendido alguma linguagem? Como será a nossa real sabedoria essencial e intuitiva? Será preciso estar fora para ver o que há dentro? Quantos anos conseguimos sobreviver sem dentes, ascendentes e descendentes ? – Gutto Carrer Lima Sem dentes, ascendente...

Não se troca energias. Troca-se Afetos.

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O que muitos chamam de "trocar energias" é uma gíria, uma força de expressão. O que na realidade se troca, são afetos. Você não pega uma energia, coloca numa caixa e entrega para alguém. A energia é produzida interiormente por quem recebe o afeto. Afeto é tudo o que afeta, pode ser bom ou ruim. Afeto não é carinho; o carinho é um afeto. Se alguma palavra, atitude, notícia, gesto, lembrança, pensamento, expectativa, crença ou acontecimento influenciou suas emoções e sentimentos, então o afetou. Logo, todas essas coisas são afetos, que podem vir de fora ou de dentro da gente mesmo. A autossugestão é um afeto interno, que pode ser produzido por outros afetos externos, em especial, as crenças em pensamentos mágicos. Os afetos são gatilhos de "energias", não são as energias, estas sim, imanentes aos afetos. – Gutto Carrer Lima Não se troca energias. Troca-se Afetos. |   FRASES   |   CRÔNICAS   |   HISTORINHAS   |   POEMAS   | ...

Curtidas no Blog Desapego

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Deixei o "Blog Desapego" sem lugar para curtir, de propósito, para não criar em mim mais uma expectativa que me traria ansiedade. Mas tem a opção de comentar. O blog me avisa por e-mail quando alguém comentou. E tem também várias opções de compartilhar, em diversas redes sociais. Quer curtida maior e melhor do que um compartilhamento? – Gutto Carrer Lima Curtidas no Blog Desapego

Vem de Fábrica

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O Saber, aquilo que é intuitivo, já nasce na gente, "vem de fábrica", e precisa ser estimulado por tudo o que nos cerca, por tudo o que nos afeta. Crianças não nascem sabendo a "mexer" em celulares e computadores; elas nascem com a intuição à flor "da pele", e por isso "já sabem" aprender o que ninguém precisa ensinar. Nós, de gerações anteriores, nos ressentimos de não conseguirmos utilizar, a contento, tanta tecnologia que nos assedia. Às vezes me sinto estúpido por não assimilá-la. Me sinto fora deste mundo que resolveu ser novo, assim, de repente, sem aviso. Algumas coisas assimilarei, por curiosidade, necessidade e insistência. Outras deixarei passar batido, como quem espera o último modelo ser lançado antes de comprá-lo. Se eu quiser realmente aprender algo novo, tenho que ligar o botão da intuição. Para ligá-lo, é preciso interesse. Para haver interesse é preciso vontade. E para haver vontade é preciso vivenciar interiormente o que o apre...

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Este é um espaço destinado às frases, crônicas, poemas e historinhas que não entraram no livro e a novos textos do autor. Escolha o tema pelo Marcador: